domingo, 16 de julho de 2017

Mais protestos, por favor!

Não são condenáveis os protestos no casamento da deputada Maria Victória, filha de Ricardo Barros e Cida Borghetti. 

Condenável é o uso da Polícia Militar como segurança privada no casamento. 

Condenável é o uso de um patrimônio histórico para ostentação. 

Condenável é a destruição do SUS promovido pelo pai da noiva, como ministro protetor dos interesses privados na saúde. 

Condenável é a mãe da noiva ser vice de um governador investigado por fraudes no porto de Paranaguá e na Operação Publicano. 

Condenável é a atuação da deputada do camburão no apoio, entre outras, à destruição da educação básica e das universidades estaduais. 

Quem destrói o Paraná e o Brasil não merece ter paz. Mais protestos, por favor!

Todos, mas nem tanto

Todos os políticos corruptos têm de ser punidos, mas Lula solto incomoda mais que Aécio solto.

Todos os governos têm de respeitar a lei, mas as panelas relinchavam contra Dilma e emudecem contra Temer.

Todos são iguais perante a lei, mas contra os adversários não é necessária prova cabal, basta convicção.

Todos os partidos são iguais, mas o PT é o mais corrupto de todos os tempos.

Político não presta, mas os do campo ideológico oposto prestam menos ainda.

O meu partido é o Brasil, mas não me incomodam a destruição da CLT, a demolição da Previdência, a desvastação das políticas sociais.
   
As jornadas de junho de 2013 mostraram que movimento político apolítico e apartidário é tomado e usado por quem faz política partidária da pior espécie.
   
E você continua acreditando que política não se discute?

Alma de patrão

Faz sentido o governo ilegítimo daquele um demolir a CLT. Afinal, o impeachment de Dilma foi para colocar Temer na Presidência para - além de estancar a porra da Lava-Jato - destruir direitos trabalhistas e políticas públicas.

Não é surpresa ver a elite comemorar esse quadro porque é da natureza perversa de quem domina. Agora, ver dominados repetindo o discurso da modernização das leis é de uma tristeza sem fim.

Empregado com alma de patrão continua sendo empregado (ou desempregado), mas sem direitos e qualidade de vida. Quem aplaude o desmonte do estado de bem-estar social pode acabar vítima do próprio aplauso.

O lado do Judiciário

A condenação de Lula por Moro, sem provas cabais conforme o próprio MP, quando da apresentação da denúncia em 2016, na coletiva-show do procurador Deltan Dallagnol. Lembram-se do power point?

A absolvição de Claudia Cruz porque Moro não tinha a convicção de que ela sabia que gastava dinheiro sujo do maridão Eduardo Cunha.

A soltura de Rocha Loures e de Geddel Vieira. 

A devolução do mandato de Aécio Neves, pelo STF (ministro Marco Aurélio).

 Esses fatos mostram que o Judiciário tem lado e está a serviço da plutocracia.

Subemprego

A reforma trabalhista vai gerar mais emprego. Isso é verdade.

Emprego com salários mais baixos; o acordado sobre o legislado vai repor a inflação e dar aumento real?

Aumento da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, ou você acredita que a flexibilização vai reduzir a carga horária?

A terceirização "infinita" faz questionar por que contarar se pode terceirizar até atividades fins?

As condições de trabalho vão piorar. Se hoje um funcionário faz trabalho de muitos, com a reforma fará de muitos mais ainda.

A tendência é o desemprego ser substituído pelo subemprego. 

Essa política não foi aprovada nas urnas em 2014. 

O ilegítimo conspirou e traiu. Entendeu, agora, o porquê de ter sido golpe?

Inquietudes (372) do Rei

Segundo o Ministério Público do Trabalho, a reforma trabalhista - patrocinada pelo ilegítimo, após parte do Brasil se fantasiar de amarelo-CBF - é inconstitucional. A constitucionalidade das leis deve ser garantida pelo STF. Vixi! Então... ferrou de vez!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ai... as celebridades

"Eco e Narciso", de John William Waterhouse, 1903. 

Quando um chef de cozinha se torna maior que seus pratos, ele deixa de ser chef e vira celebridade.

Quando um professor se torna maior que o ato de ensinar, ele deixa de ser professor e vira celebridade.

Quando um padre e pastor se tornam maior que Deus, eles deixam de ser padre e pastor e viram celebridade.

Quando um jornalista se torna maior que a informação, ele deixa de ser jornalista e vira celebridade.

Quando um advogado se torna maior que a sua causa, ele deixa de ser advogado e vira celebridade.

Quando um juiz se torna maior que o processo, ele deixa de ser juiz e celebridade.

Quando um promotor se torna maior que a acusação que faz, ele deixa de ser promotor e vira celebridade.

Quando um empresário se torna mais que a sua empresa, ele deixa de ser empresário e vira celebridade.

Quando um político se torna maior que a política, ele deixa de ser político e vira celebridade.

E celebridade vive do que mesmo?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Inquietudes (371) do Rei

Seria divertido não fosse trágico, mas o fim de Aécio, cuja ficha corrida foi escondida por muito tempo, é merecido por causa do fogo que ele ajudou a acender quando não respeitou as urnas em 2014. E o apoio do PSDB ao governo Temer mostra que os tucanos fazem exatamente o que condenavam nos petistas: o poder pelo poder.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inquietudes (370) do Rei

Charge: Amarildo.

O tal Joesley Friboi Batista corrompeu, corrompeu e corrompeu, mas está livre e leve. No mundo da delação premiada, recurso usado e abusado na Lava Jato, o delator bandido vira herói. Isso mostra também a incompetência/incapacidade dos órgãos de investigação (PF, MP...) em provar a culpa do corruptor. Como não provam, precisam dele para pegar - pelo menos - o corrupto. Assim, o bandido delator ganha um bom acordo, inclusive com dinheiro sujo para gastar de forma limpa. O crime, para o bandido delator, compensa.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

De políticos a cidadãos comuns

Foto: Jose Lucena/Futura Press. Reprodução: Estadão.

A Operação Bullish da Polícia federal (PF), deflagrada hoje em Brasília, entre os diversos atos, conduziu coercitivamente funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Segundo a Agência Brasil, a operação "investiga irregularidades em aportes de R$ 8,1 bilhões da BNDES Participações (BNDESPar) ao grupo JBS".

A Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) divulgou nota na qual seu presidente, Thiago Mitidieri, condena a condução coercitiva de funcionários da instituição. “O funcionário do BNDES não tem nada a esconder. Todas as informações que foram perguntadas, a gente vai fornecer isso.” A declaração consta na matéria da Agência Brasil. 

Como repercussão contra a condução coercitiva dos funcionários do banco, durante esta sexta-feira, colegas de trabalho do BNDES fizeram manifestação em defesa do corpo funcional da instituição. Veja galeria de fotografias no site da Associação dos Funcionários.

A condução coercitiva é uma medida em que pessoas são levadas pela polícia para depor. O instrumento é uma previsão legal do Código de Processo Penal (CPP), quando a testemunha, vítima, suspeito ou perito se recusa ou não comparece para depor diante de intimações anteriores. Ou seja, conduzir coercitivamente - sem intimação anterior - é ilegal.

A estratégia ficou famosa em outra operação, a Lava Jato, que banalizou o recurso, tendo na condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março de 2016, o seu ápice. Parte do Brasil comemorou a decisão do juiz Sérgio Moro, condenada por advogados e juristas. A medida de Moro foi criticada, inclusive, pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

A medida de Moro expôs ainda mais a polarização política que vem sendo alimentada no Brasil, nos últimos anos. Nas redes sociais, desafetos desancam a Lava Jato e fãs a entronizam. Coisa típica de uma sociedade que precisa de heróis e vilões. Não devemos confundir justiça com justiçamento.

A condução coercitiva, sem intimação anterior, é uma prática ovacionada orgasticamente contra políticos e empresários acusados de corrupção. Agora, a medida atinge cidadãos comuns. Este é o efeito prático quando a sociedade aplaude a ilegalidade contra seus adversários. Ela própria - a sociedade - também se torna vítima.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Inquietudes (369) do Rei



As capas das revistas "Veja" e "Isto é", desta semana, são reveladoras. Ambas colocam Lula e Moro em um ringue como oponentes.

Para a "Veja", Lula e Moro estão em luta livre; para a "Isto é", ambos são boxeadores tentanto acertar o outro. 

Uma pergunta básica. ?Se Moro fosse imparcial, ele não seria retratado como um juiz a mediar e julgar as acusações do Ministério Público Federal?

Uma conclusão óbvia. Um juiz na condição de adversário pode promover tudo. Menos justiça.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Onde você está?

Charge: Joel Almeida.

Então... quer dizer que quem não trabalha é vagabundo!

Onde você está quando grandes corporações demitem setores inteiros e quem fica faz trabalho de vários?

Onde você está quando trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão?

Onde você está quando mulheres ganham menos que homens para fazer a mesma coisa?

Onde você está quando empregadores assediam moralmente seus funcionários? 

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a CLT?

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a Previdência?

Onde você está quando governos doam terrenos e isentam de impostos grandes empresas que, mesmo beneficiadas com recursos públicos, demitem?

Mesmo assim, você repete que quem não trabalha é vagabundo.
E isso diz muito mais sobre o seu caráter, do que você gostaria.